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Shawn Mendes – Illuminate (2016)

Cantor é interessante mesmo sem abrir mão da inocência

Por Gabriel Sacramento

O canadense Shawn Mendes é mais um dos artistas novos que se beneficiaram do poder da internet. Ele postava vídeos de covers no aplicativo Vine, até que lançou em 2015 seu primeiro álbum, Handwritten, que fez um estrondoso sucesso, atingindo o topo da Billboard. O artista também conquistou o status de artista mais jovem a liderar a parada, com 16 anos.

Seu som é claramente influenciado por Ed Sheeran e John Mayer. Seu novo disco, Illuminate, Mendes resolveu posar com sua guitarra à John Mayer na capa. A voz do cantor é muito parecida com a de Sheeran e sua capacidade de fazer um pop inocente, simples e jovial é impressionante.

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Boa parte do disco é produzido pelo parceiro de Sheeran, Jake Gosling. Um dos elementos típicos da sonoridade do britânico que também aparecem na música de Mendes é o predomínio da guitarra limpa como base. Como em “Three Empty Words”, que é só ele e essa guitarra limpa. O instrumento também dita o ritmo da soulful “Don’t Be a Fool”. A faixa de abertura, “Ruin” – que poderia estar no X do Sheeran –, possui uma tranquilidade e um clima relaxado bem próximo do soul. Ao mesmo tempo em que lembra o ruivo, a canção também remete à Mayer, com floreios de guitarras nos versos e uma instrumentação mais densa no refrão. “Mercy” não soa nem grandiosamente pop, nem cool demais. É equilibrada. Sua voz é muito bem colocada e o refrão é marcante.

“Treat You Better” é mais animada e mais pop teen. De todas, é a mais radiofônica e a mais fraca. Seus falsetes inspirados chamam a atenção em “No Promises”, enquanto sua guitarra pontuando notas traz o charme que faz a diferença em “Lights On”. A fantástica “Understand” soa como se James Morrison e John Mayer resolvessem compor algo juntos.

Mesmo sendo pop adolescente, simples, radiofônico e polido o suficiente para tocar muito por aí – aliado à sua imagem de jovem promissor –, Shawn Mendes não faz feio em seu segundo trabalho. Emulando grandes artistas que já estão bem estabelecidos, busca seguir os passos deles e trilha seu caminho com cuidado, tentando não ceder ao anseio desenfreado por sucesso no mainstream e não sacrificar sua personalidade.

Sim, sua personalidade está garantida em Illuminate, ainda melhor do que em Handwritten, sendo mais sincero, mais soul e mais inspirado. Sua entrega é precisa e contribui com o todo. A guitarra não fica só na capa, mas traz arranjos que se destacam e preenchem bem as canções. O canadense deixa bem claro em quem se baseia para compor suas canções, trazendo influências de soul clássico e temperando isso com um molho pop, moderno e jovial.

Ou seja: Mendes soa muito interessante sem precisar abrir mão da sua inocência para isso.

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Moby & The Void Pacific Choir – These Systems Are Failing (2016)

“Deixem os sistemas falharem”, pede Moby em seu disco eletrizante a favor dos animais e do meio ambiente

Por Lucas Scaliza

Moby veste terno e está submerso em uma piscina. Segura um microfone e embora seja possível ouvir sua voz, quando sua boca se abre debaixo d’água bolhas saem dela, não sons. Mas a narração nos conta que o humanidade precisa de “coisas” para viver feliz e sobreviver. Essas “coisas” nos salvaram, coisas como armas, comida e abrigo. A humanidade conseguiu o que queria, estabelecer o mínimo de condições para viver bem e vencer as intempéries do ambiente em que estava jogada.

Mas vencer não foi o bastante e a humanidade seguiu em frente comendo como se não houvesse amanhã, destruindo o meio ambiente em nome do progresso e lutando guerras sem sentido. Grandes cidades, grandes indústrias e grandes sistemas foram formados para gerir tudo isso. “Esses sistemas deveriam nos proteger, mas poluíram nosso ar e nossa água. Esses sistemas deveriam nos salvar, mas estão nos matando”, diz Moby. “Esses sistemas estão falhando. Deixe que falhem.”

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O DJ, produtor e compositor americano Moby é vegano e um defensor voraz da causa animal desde o início dos anos 90. Uma rápida olhada em seu Instagram e já é possível sentir seu carinho pelos bichos e agressividade com que milita pela causa. Ele não despreza quem come carne, mas é notório que usa sua fama para dar visibilidade para a causa. These Systems Are Failing, primeiro disco em parceria com a banda The Void Pacific Choir, é uma reação raivosa contra esses sistemas capitalistas e predatórios em forma de música. Suas mensagens tentam sensibilizar bilhões de pessoas que vivem e promovem um estilo de vida que depende da ação desses fatores que colocam em risco animais e o meio ambiente.

De certa forma, o disco é um retorno à Animal Rights, o segundo disco de Moby. Ele já era reconhecido como um artista em ascensão na cena eletrônica de Nova York, mas meteu na cabeça que queria fazer um disco de punk rock, tocando guitarras distorcidas e tudo o mais. Foi um fracasso lá em meados da década de 1990 e nem consta em sua discografia no Spotfy atualmente. Agora talvez tenha mais sucesso, já que é um nome e tanto da música mundial. Contudo, não será um sucesso mainstream – ou pelo menos não deveria ser. Se é para ir contra o sistema, Theses Systems Are Failing não pode ser absorvido facilmente por ele.

O disco é roqueiro, mas não deixa de ser Moby nem por um minuto. Há diversas batidas claramente eletrônicas e partes de teclado e sintetizadores que reconhecemos como parte do estilo tecno do DJ careca (como em “Are You Lost In The World Like Me?”). Mas há também guitarras distorcidas e urgência na forma de cantar e expressar as canções. “The Light Is Clear In My Eyes” é o lado mais Joy Division/Ian Curtis que Moby nos mostrou em anos. Com menos de dois minutos, “And It Hurts” é uma rajada de eletro punk, com a voz do cantor filtrada e todos os sons saturados de eletricidade. Já a poderosa “Don’t Leave Me” ganhou um clipe que só pode existir na era YouTube. Caso fossem ainda os anos 90 e o artista dependesse da MTV, o vídeo seria recusado, por mostrar frangos, porcos, bovinos, ratos, macacos e diversos outros animais em situações degradantes de confinamento, seja para venda, engorda ou abate.

O álbum é bem direto, com composições que entregam logo tudo o que têm. Sobra energia e sobra vibração. These Systems Are Failing é bem diferente de todos os álbuns que Moby lançou nos últimos 10 anos, preenchendo tudo com som de guitarras pesadas e baterias enormes, em contraposição às faixas mais noturnas e atmosféricas que lançou. “Hey! Hey!” tem algo de anos 80 em seu DNA, “Break.Doubt” é quase como uma faixa de rock industrial e chega a lembrar Rammstein e “Errupt And Matter” soa apocalíptica.

Não dá para confundir as coisas com Moby & The Void Pacific Choir. É um disco para cima e forte, mas não do tipo animado e feliz. A energia do álbum tem mais a ver com revolta ou uma animação torpe de quem assume uma posição pessimista do mundo e da sociedade. Há aí um pouco dos Pixies no início de carreira também.

Embora tenha boas canções, These Systems Are Failing não pretende mostrar um nível de composição tão alto quanto qualquer outra obra de Moby. É um álbum que pretende incomodar, falar alto e rasgado para seus ouvintes, apontar o dedo acusador mesmo, ser sarcástico e irônico. Afinal, só mesmo a consciência e a entrega a um problema mundial tão grande – e tão difícil de ser solucionado – faria um homem de 50 anos voltar a se sentir como se tivesse 20 e poucos e gravar músicas tão eletrizantes.

A banda Muse também vem criando histórias e álbuns que pintam um presente e um futuro distópico, mas o senso de espetáculo da banda acaba fazendo tudo parecer mais entretenimento do que um tema que a banda queira discutir seriamente (vide Drones, de 2015). E o U2 também continua permeando seus shows e atos fora do palco de intenção política, mas as músicas que vem criando há muito tempo deixaram de vociferar duramente ou poeticamente contra as mazelas do mundo. Somente Neil Young fez um disco (The Monsanto Years, de 2015) que é sarcasticamente corrosivo e direto ao ponto contra grandes corporações e a favor do meio ambiente, sem rodeios e sem tentar abafar os assuntos de que trata.

No mundo real, Moby & The Void Pacific Choir são Davi e as indústrias são Golias, a banda é Dom Quixote e o capitalismo carnívoro é um moinho de vento. Não importa se vão fazer a diferença. Importa a coragem de se erguer e deixar claro o que está acontecendo.

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Green Day – Revolution Radio (2016)

Álbum sintetiza o que a banda produziu até hoje, com uma sonoridade mais rock e temas atualíssimos

por brunochair

O primeiro CD da minha vida foi o Nimrod, do Green Day. O ano era 1997, e pela primeira vez na vida pude colocar um CD pra tocar. Estranhei o fato de não existir lado A e lado B, era tudo uma coisa só. E o punk rock que o Green Day se propunha a fazer nos clipes da MTV ganhava outros sabores, com jazz, skate rock, baladinhas, ska… enfim, o Green Day era muito mais eclético do que eu imaginava, e todos aqueles elementos deixavam o adolescente brunochair bastante surpreso (num bom sentido, no caso).

Após isso, fui conhecendo os outros álbuns (mais antigos) do Green Day. Mês a mês, fui preenchendo minha CDteca. Dookie, Kerplunk, Insomniac. Não cheguei a comprar o CD do Warning, mas acompanhei todo esse período muito bem. Pra dizer a verdade, torcia o nariz para aquele punk ultra pop dos anos 2000, mas hoje vejo como um período interessantíssimo da carreira dos caras – época de ousadia estética, que refletia na sonoridade, na busca por um público, por identidade.

American Idiot fez o Green Day voltar a ser popular, como nos tempos de Dookie. American Idiot trazia uma outra identidade, outras propostas estéticas. Pela primeira vez, letras políticas e de protesto entravam na temática do Green Day, algo que começou a aparecer em Warning de forma precária e contrastava totalmente com o niilismo e falta de sentido de viver que eram cultuados em Dookie.

Desde então, o Green Day nunca mais lançou mão (Billie Joe Armstrong, o grande compositor da banda) de tratar temas políticos e sociais nas canções. Há sim uma ponta de niilismo, mas o foda-se juvenil deu espaço para artistas realmente preocupados com a sombria e inevitável realidade. E assim tem sido nos álbuns 21st Century Breakdown, e a trilogia Uno! Dos! Tré!, em que a banda utiliza-se do seu grande espaço no showbizz para tratar de assuntos essenciais da realidade.

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Revolution Radio, o novo disco do Green Day, segue essa mesma tendência contestatória. Billie Joe e sua turma, totalmente atualizados sobre o cenário político e sobre a sociedade do espetáculo, procuram contribuir com a discussão, mostrar o ponto de vista deles para seus milhões de seguidores – sejam eles americanos ou não. Ainda que a discussão sobre a eleição americana (a perigosa ascensão de Trump entre o eleitorado americano) seja um tema bastante espinhoso e específico deles, vemos em tantos outros países uma onda de conservadorismo e proto-fascismo crescendo vertiginosamente. Portanto, a discussão é necessária, e mundial.

Em entrevista para a Rolling Stone, Billie Joe Armstrong diz ter dado de frente com uma passeata do Black Lives Matter. O cantor do Green Day diz ter parado o carro na Eight Avenue e começou a marchar com os manifestantes pelas avenidas de Nova York. “Revolution Radio”, um dos primeiros singles deste disco, reflete essa necessidade de legalizar a verdade e lutar contra o establishment.

Em“Bang Bang” Billie Joe dá voz a um atirador psicótico. De certa forma, a discussão recai nessa “habilidade” da sociedade americana em produzir potenciais atiradores em massa, e ao mesmo tempo na existência desse narcisismo perigoso que se criou com as redes sociais – e que pode dar vazão a perturbadores indivíduos, como estes atiradores em massa. O álbum também traz uma música de Billie Joe em homenagem à sua esposa Adrienne (“Youngblood”), com quem convive junto há 22 anos. Outra música digna de nota é “Still Breathing”, que possui forte inspiração no período em que Billie Joe esteve em uma clínica de reabilitação, para cuidar de sua dependência com o álcool.

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Meio político e meio confessional, o Green Day atualiza as discussões, os debates, as aflições, a desesperança (“Troubled Times”). Quanto à sonoridade, percebe-se que pouca coisa mudou desde American Idiot: o Green Day abriu mão da experimentação da década de 90 e partiu para um punk rock de arena, que ressalta o ROCK em relação ao punk. Podemos perceber em Revolution Radio que as guitarras estão sempre em destaque, Mike Dirnt buscando brilhar nos respiros e Tré Cool (ainda que com menos energia e menos velocidade) originalíssimo, com várias saídas inteligentes e viradas, tornando-se o instrumentista destaque deste álbum.

Não trata-se aqui de uma crítica a esta fase anos 2000 do Green Day, mais ROCK e menos punk, apenas uma constatação de que a sonoridade do grupo está menos adepto ao ecletismo do que outrora. Ainda assim, as músicas continuam seguindo uma linha do punk, com arranjos bastante simples – o que considero uma virtude, pois foi essa simplicidade que também atraiu (e continua atraindo) público interessado no Green Day.

Interessante observar que Revolution Radio foi gravado em um pequeno estúdio em Oakland (Califórnia) apenas com o auxílio de um engenheiro de som. Ou seja, o Green Day foi o próprio produtor do álbum. O álbum tornou-se mais “orgânico” com isso? Talvez sim, mas no caso do Green Day a questão nem é essa: após tanto tempo trabalhando em álbuns independentes, grandes gravadoras e com produtores de renome, o grupo talvez esteja agora bem consciente do que quer e onde querem chegar.

Enfim, essa resenha não elegerá Revolution Radio o melhor ou o pior álbum do Green Day. No fim das contas, era o melhor que o Green Day poderia fazer para agora (em 2016). Um disco atual, sincero e sem rodeios, produzido por eles próprios. Não há do que reclamar: Revolution Radio sintetiza o que o Green Day foi até durante essas quase três décadas, dando ênfase na sonoridade anos 2000 e nos temas atualíssimos.

Pode ouvir, que a gente recomenda.

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Kansas – The Prelude Implicit (2016)

Grupo faz disco mais acessível, mas mantém a identidade

Por Gabriel Sacramento

Quando se fala em rock progressivo, a maioria das pessoas pensa na Inglaterra, país onde surgiram os grandes medalhões do estilo como Genesis, Yes, Jethro Tull e Pink Floyd. Mas os Estados Unidos também foram palco de produções significantes do prog rock, uma prova disso são os discos do Kansas.

Como uma boa banda americana, o Kansas conseguia mesclar a vertente progressiva com outras tendências do rock, como AOR e hard rock. Daí veio um sucesso considerável que talvez não existisse se a banda focasse somente no prog. Resumindo: a grande virtude do grupo era misturar passagens complexas e típicas do prog britânico com refrãos grandiosos e épicos, com melodias palatáveis.

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A banda não lança nada novo desde 2000. Para piorar, o guitarrista/tecladista Kerry Livgren e o vocalista Steve Walsh da formação clássica deixaram o grupo. Para os vocais, foi chamado Ronnie Platt. Para a guitarra, foi chamado Zak Rizvi, a fim de auxiliar Rich Williams. Para os teclados, David Manion foi contratado.

O que esperar de uma banda que há 16 anos não lança algo novo? E que tentaria a sorte sem o line-up original? O guitarrista Rich Williams afirmou que seria algo para os fãs de “Dust in The Wind”, balada voz-violão famosa gravada no disco Point of Know Return (1977). Mas será que The Prelude Implicit é mesmo somente para os fãs da balada?

Em primeiro lugar, The Prelude Implicit não é um álbum totalmente baladeiro. Embora seja mais acessível e palatável, não é tão totalmente entregue às músicas fáceis de serem assimiladas. Eles mantêm a identidade do Kansas, mesclando o progressivo mais pesado com passagens épicas, recheadas de orquestrações e uma sonoridade mais melodiosa.

A banda abusa de melodias mais sensíveis, como em “The Unsung Heroes” e “With This Heart”, combinando-as à momentos mais orquestrais. Em “Visilibity Zero”, “Camouflage” e “Rythm in the Spirit”, as melodias mais fáceis são mescladas com momentos mais pesados conduzidos por ótimos riffs de guitarra.

Além disso, o Kansas também se mostra preocupado com as questões sociais que envolvem o mundo. A letra de “Refugee”, balada que lembra “Dust in the Wind”,  trata de uma oração cheia de súplica à Deus em favor das crianças e dos refugiados. Tocar nesse assunto foi bem oportuno dado o momento político em que vivem os americanos e todo o resto do mundo. Já “Section 60” é uma faixa instrumental cujo título faz referência à uma parte do cemitério Arlington National reservada para as vítimas das guerras no Oriente Médio. Na letra de “Visilibity Zero” eles trazem uma visão pessimista e distópica acerca dos políticos, enquanto conclamam o ouvinte a abrir os olhos para não ser enganado, nem dominado.

Basicamente, em The Prelude Implicit o Kansas trabalha com melodias marcantes, momentos mais agressivos e momentos mais épicos. As orquestrações foram lideradas pelo grande violinista David Ragsdale, que impõe seu instrumento frente ao demais. Seu violino conduz harmonias, cria texturas e se comunica bem com os outros instrumentos, contribuindo para o todo muito significativamente. Em alguns momentos, os temas instrumentais criados por eles soam tão bem que nos fazem lembrar trilhas sonoras de grandes filmes.

Os momentos mais guitarreiros são bem dosados, bem colocados e cooperam com os momentos de dinâmica mais baixa. Os músicos souberam como utilizar as distorções e as guitarras vão de riffs mais técnicos a ideias mais simples e diretas, cedendo espaço para os outros instrumentos aparecem.

O Kansas não volta tão feroz quanto costumava ser antigamente, mas também não decepciona. O novo álbum é muito bem produzido e bem direcionado, feito para soar mais acessível, enquanto apresenta os elementos característicos da banda, desde o instrumental ao conteúdo das letras, mantendo de certa forma, a identidade.

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Foto: Marti Griffin

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Escuta Essa 05 – Só Os Tops!

Episódio 05 do Escuta Essa Review em clima de baladinha. Será???

O que achamos do esperado “Sorceress”, do Opeth, e do primeiro disco do duo carioca Bilhão, representante do cross over entre synthpop e MPB. E tem muito mais!

Outros artistas do episódio:
* Calvin Harris
* Testament
* The Naked And Famous
* Kansas
* deadmau5

Coloque seus fones, aumente o volume e divirta-se, porque hoje é tudo open bar!

Podcasts: http://soundcloud.com/escutaessareview
Facebook: www.facebook.com/EscutaEssaReview
Contato: escutaessareview@gmail.com

Resenha de “Sorceress”, do Opeth: goo.gl/0jq7gZ
deadmau5 recria tema de Stranger Things: goo.gl/Wh9E4c

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Usher – Hard II Love (2016)

Usher traz um som mais urbano e forte

Por Gabriel Sacramento

Depois de Looking 4 Myself (2012) – em que Usher flertou com o eletrônico e com um pop mais comercial –, o cantor nos deixou curioso acerca de qual caminho trilharia em sua carreira. Se ele continuaria a misturar vários estilos, entregando discos longos que apontam para várias direções ou se resolveria revisitar o passado e nos trazer mais do seu R&B urbano.

O compositor/produtor que trabalhou no disco, Eric Bellinger, disse algo em uma entrevista que nos deu uma dica do que viria por aí. Segundo ele, seria mais R&B que o anterior e que seria algo do coração do cantor e não necessariamente o que as pessoas queriam ouvir.

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Hard II Love é de fato mais R&B. Salvo raríssimas exceções em que Usher busca outros elementos de outros gêneros, o álbum se mantém bem fiel à proposta que o cantor apresentava nos primeiros discos da carreira, mesmo que de maneira moderna. A produção envolve nomes como Raphael Saadiq, Tricky Stewart e o próprio Usher.

“Need U” abre o disco confirmando o que foi dito por Bellinger, mesmo que com uma base eletrônica pesada, logo desemboca na interação vocal principal/vocais de fundo que resgata aquela sonoridade típica do R&B dos anos 90. Note como a base de fundo fica desfocada diante do trabalho primoroso dos vocais. As harmonias quentes e cheias de swing estão presentes também em “No Limit” e “Missin’ U”, com uma base de hip hop no início. Perceba como Usher ainda interage com o hip hop, mas com foco no R&B.

“Bump” traz floreios vocais fantásticos que ressaltam a qualidade do trabalho com as vozes em Hard II Love. “Tell Me” é a melhor do disco. O cantor nos envolve em uma base espacial hipnótica com destaque para a batida, enquanto canta uma melodia ascendente no refrão, com uma entrega que não é tão comum ouvirmos em seus discos. A economia de elementos, junto com o fato de sua voz se desenvolver muito bem, faz com que a audição seja inesquecível. A faixa-título apresenta Usher tentando novas ideias dentro do seu som, cantando sobre uma base composta basicamente por dedilhados de guitarra.

Quem acompanha a carreira de Usher sabe que o cara é um dos grandes nomes do R&B americano. Com seu novo disco, ele mostra boa forma e uma coleção de canções que deixam claro que o tempo e a experiência ajudam muito. E no caso dele, as duas coisas o ajudaram a polir ainda mais a sua musicalidade. Por isso, ele consegue soar seguro e altamente convincente com sua proposta.

Vale ressaltar também que Usher não se mostra totalmente indiferente ao que surge de novo na música contemporânea. A prova disso é que podemos perceber elementos e ideias modernas que sugerem uma influência do R&B alternativo – como o praticado pelo Frank Ocean, por exemplo. Ele o faz de forma inteligente, respeitando o próprio legado.

Se no trabalho anterior ele explorou coisas diferentes, agora Usher prefere o som a que está mais acostumado e mostra que este tipo de som, o R&B, não está batido e está longe de ser esquecido. Por isso, com ajuda de um bom time de produtores, o cara trouxe o melhor do seu som, o uniu a referências modernas e entregou um álbum muito interessante.

Hard II Love vale muito a pena. Mais R&B, romântico, swingado, sensual e tudo isso sem soar comercial demais ou pouco original. Forte e agradável de ouvir, mais um ótimo álbum a contribuir com o legado do Usher.

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Opeth – Sorceress (2016)

Mais stoner, mais diversificado e mais setentista, Opeth entrega outro excelente disco

Por Lucas Scaliza

Pode espernear, pode chorar, pode dizer que a banda traiu o movimento. Só não pode dizer que o Opeth se rendeu a algo mais simples, mais comercial ou de menor qualidade de composição. Sorceress não só amplia significativamente o espectro musical praticado pela banda como nunca antes, como também é um disco mais pesado que Pale Communion e que corre muitos mais riscos do que somente deixar de lado o death metal e os grunhidos vocais.

Mas não há como desconectar um elemento do outro. Encarar o lado mais pesado dessa nova fase do Opeth implica encarar também sua abertura sonora para influências tão díspares quanto Black Sabbath e Abba ou tão interessantes quanto Jethro Tull e música árabe, rock inglês e violão clássico, tudo com uma pegada ao mesmo tempo vintage, com timbres bem setentistas, e um poder de fogo e de melancolia que não esconde as características mais marcantes do Opeth de sempre.

Mais uma vez temos Mikael Akerfeldt no comando total do trabalho. Ele compôs todas as músicas e todas as letras. Antes mesmo de se reunir com a banda, gravou faixas demos com uma qualidade absurda que já deixava bem claro para a banda como ele queria que cada canção fosse interpretada, como seriam os vocais, os temas, onde entrariam os solos, como o teclado se comportaria, etc. Por isso, dentro do Rockfield Studio, no País de Gales, a banda demorou apenas 12 dias para gravar Sorceress, e todos puderam gravar suas partes usando as demos de Akerfeldt como guias, apenas adicionando os timbres finais e o toque pessoal de cada um.

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Segue um faixa a faixa para analisarmos o que há de legal e de notável em cada canção do álbum.

Persephone – Uma introdução com o violão erudito de Mikael Akerfeldt.

Sorceress – Meio Black Sabbath, cheia de groove, meio blues, teclados quentes e vintage. Um som meio abafado, timbres setentista, mas um peso moderno nas guitarras. É uma ótima música, com ótima pegada e que já deixa claro que o Opeth pode ser pesado mesmo quando busca algo diferente do death metal. A bateria é trovejante e o ritmo é empolgante. Nunca antes o quinteto sueco havia soado tão stoner quanto agora.

The Wilde Flowers – Um trabalho de guitarras típico do Opeth, colocando um tempero étnico nos riffs após os versos. Como contraponto a sua parte mais arrastada, tem também uma seção mais melódica e fecha com uma parte instrumental bastante intensa de fusion em que a banda toda manda um prog metal de respeito com um belo trabalho de guitarras. Nesta faixa e em todas as outras você nota como a bateria de Martin “Axe” Axenrot e o baixo de Martín Méndez estão em comunhão e soando bem diferente do que soaram em discos anteriores. Isso ocorre porque ambos foram gravados ao vivo, tocando juntos no estúdio.

Will O The Wisp – A balada do disco fica ainda melhor dentro do contexto do que ouvida fora da obra. Um tom mais alto, cordas mais vibrantes e vocais dobrados no refrão. O teclado faz a linha melódica triste, que contrasta com o brilho do instrumental. A letra também não é das mais felizes e representa o tipo de letra que Akerfeldt tenta fazer para representar sentimentos.

Chrysalis – O primeiro acorde é totalmente sabático. É uma faixa forte, intensa, poderosa, potente, quase como um death metal do Opeth de Ghost Reveries ou Watershed, mas sem os vocais guturais e com timbres mais setentistas nos instrumentos, inclusive com um teclado superquente. Melhor música do disco? Possivelmente. Perfeita para tocar ao vivo e incendiar a plateia. Só dá sossego no final, e ainda apresentando melodias e solos interessantes. A gravação ao vivo da bateria e do baixo realmente deram um sabor especial ao álbum.

Sorceress 2 – Mikael AKerfeldt cantando de uma forma bem diferente, com falsetto, muito mais suave e sussurrado, que o coloca no extremo oposto do gutural, parecendo até mais etéreo, como uma faixa de música eletrônica ou pop indie europeu. Novamente temos os dedilhados e o teclado de Joakim Svalberg fazendo um ótimo trabalho para colocar a faixa no contexto sonoro e sentimental de Sorceress.

The Seventh Sojourn – Percussão e trabalho de cordas muito interessante, levando o misticismo do disco para o oriente médio. Com a chegada do baixo, o som vai ficando mais ameaçador, sem abrir mão da melodia e do ritmo. É o Opeth abraçando a música etnográfica como nunca antes. Isso prova que o metaleiro precisa não só entender a mudança que o Opeth quis fazer em sua carreira, mas também manter a mente aberta para novos tipos de som dentro do álbum. Estamos a anos luz de Deliverance (2002), disco inteirinho pesadão e gutural. Se perdemos em teor heavy metal, ganhamos com a escalada musical da banda, no entanto. No final de “The Seventh Sojourn”, Mikael faz harmonização vocal, trazendo o brilho místico da temática do disco, bem diferente de todas as outras faixas, de tudo o que já fizeram antes.

A Strange Brew – A melancolia dita a faixa. E o pianista e tecladista Svalberg vai comprovando que Sorceress deve muito à sua habilidade e sensibilidade. Há também as guitarras pesadas de Fredrik Akesson e a bateria incrível de Axenrot fazendo um progressivo encorpado, agressivo e cheio de groove. O final é feito de partes mais lentas carregadas de sentimentos para encerrar “A Strange Brew” de forma marcante, arrastada e assombrada.

A Fleeting Glance – Mais uma vez, Mikael Akerfeldt surpreende com uma valsinha que começa com um tipo de falsetto que traz a faixa para o reino da psicodelia. Se em Pale Communion a banda ainda trabalhava com os mesmos referenciais, dessa vez eles se expandiram bastante. Já prevejo fãs reclamando e outros adorando a permissão artística que se deram de sair da casinha. E ao mesmo tempo, os riffs pesados estão lá, com síncopes de bateria e tudo que faz do Opeth uma banda de rock progressivo.

Era – Essa é para fechar lindamente. Após uma introdução com piano, sobem os acordes do teclado e os riffs explodem em mais uma faixa potente, acelerada e cheia de energia. Até o solo tem um estilo mais Iron Maiden anos 2000.

Persephone (Slight Return) – E sobra pra Svalberg fechar o trabalho com o piano, repetindo o tema da feiticeira lá da primeira faixa, antes executada no violão. Piano, teclado, Fender Rhodes, órgão, minimoog e hapiscórdio são os instrumentos que Svalberg nos apresentou no álbum, fazendo deste o trabalho em que mais teve a chance de comprovar o seu protagonismo no grupo.

Sorceress é a experiência mais setentista, mais stoner e mais diversificada musicalmente em que o quinteto sueco já apostou. Embora não tenha como agradar a todos – principalmente aqueles que não se importam com a música, somente com o peso –, temos mais um excelente disco de metal (e derivados) em um ano que foi ótimo para o estilo. Mais do que isso, Akerfeldt continua firme em seu propósito de não se repetir e entregar algo que não passa longe do rock que sempre fez, da tristeza e escuridão que sempre estiveram no íntimo de cada composição e do compromisso com a excelência. Além disso, Sorceress ao vivo deverá não apenas soar tão bem quanto no disco como abre oportunidades de performances memoráveis no palco de cada um dos integrantes. O que mais um fã de Música e metal pode querer?

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Meat Loaf – Braver Than We Are (2016)

Meat Loaf continua o mesmo – e isso é bom!

Por Gabriel Sacramento

Michael Lee Aday, conhecido como Meat Loaf, já é considerado uma lenda. Sua carreira como ator e cantor, participando em filmes cultuados, como Clube da Luta (1999), e lançando discos como a lucrativa trilogia Bat Out of Hell – o primeiro, inclusive, um dos mais vendidos de todos os tempos, junto com Dark Side of The Moon (Pink Floyd), Back in Black (AC/DC) e outros –, confirmam que o artista é renomado e possui um legado a zelar.

Na sua carreira musical, ele estabeleceu um padrão de qualidade trabalhando ao lado do compositor Jim Steinman. Recentemente, algumas brigas e desentendimentos por conta do uso da expressão “Bat Out of Hell” – registrada como uma marca por Steinman em 1995 (mas que acabou adquirida por Loaf) – resultou em álbuns sem o envolvimento do compositor, inclusive o último e excelente Hell in a Handbasket (2011).

Cinco anos depois, o cara aparece com novidades: voltou a trabalhar com Steinman e não foi para um Bat Out of Hell. O novo disco chama-se Braver Than We Are e possui algumas canções antigas de Steinman, escritas para outros projetos, bem como participações de vozes femininas como Ellen Folley (voz do clássico “Paradise by the Dashboard Light” do primeiro Bat Out of Hell).

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Um andamento bem blueseiro, com uma guitarra levemente saturada abre o disco em “Who Needs the Young”. Mas logo a sonoridade muda, passando de vocais de fundo dançando sobre os arranjos a momentos mais épicos com uma interpretação singular de Loaf. A dinâmica e a teatralidade da faixa mostram o velho jeitão de fazer música do cantor americano. Podemos perceber isso também nos 11 minutos de “Going All The Way is Just The Start”, com umas melodias mais belas dos últimos anos. A faixa possui a participação de Ellen Folley e Karla deVito e é uma balada típica do cantor, com reviravoltas inesperadas, momentos crescentes e quebras de ritmos entre o pesado e o calmo.

Em “Speaking in Tongues”, ele canta: “Há coisas que aprendemos por conhecimento, outras que aprendemos pelo coração, há coisas que aprendemos no fim da vida e outras que aprendemos no início…”. E em “Train of Love” e em “Lovin You is a Dirty Job” ele resolve falar de amor. No entanto, as letras românticas de Steinman estão longe de serem banais e recheadas de clichês, apresentando o tema sob uma ótica interessante, com frases bem elaboradas que tornam o seu ponto de vista mais convincente. “More” – que já tinha sido gravada pela banda Sisters of Mercy no álbum Vision Thing (1990) – traz um dos poucos momentos em que a guitarra chama a atenção, oferecendo certo peso aos arranjos.

Um ponto negativo do álbum a ser ponderado é o fato de canções como “Souvenirs” e “Lovin’ You is a Dirty Job” serem muito longas. Mesmo que a duração incomum de faixas seja uma marca de ML, as canções de Braver Than We Are enfadam o ouvinte. Fica claro que ambas chegam a um ponto em que não têm mais o que dizer e apenas se repetem.

O novo disco é menos roqueiro. Temos menos riffs e arranjos marcantes de guitarra, deixando o foco para o piano em diversos momentos. O guitarrista Paul Crook também cuidou da produção e talvez isso tenha provocado essa diminuição da importância do instrumento no som.

Mas o piano faz um trabalho bem feito. Mesmo que não soe agressivo, o instrumento oferece as camadas de base harmônica fundamentais para a construção e desenvolvimento de outros elementos de cada canção, como os vocais.

Meat Loaf continua o mesmo: dinâmico e teatral – fatores típicos do seu estilo e do de Jim Steimann. Braver Than We Are é  mais épico e fantasioso que Hell in a Handbasket. E mostra que o cantor sabe envelhecer artisticamente e continua investindo nas características mais marcantes que o consagraram.

No geral, é um ótimo disco com bons momentos e que o grande ponto positivo é o de apresentar Meat Loaf sendo ele mesmo, em uma ótima forma e com elegância. Talvez seja o início de uma nova fase com a cooperação de Steinman, que poderia, inclusive, resultar em um Bat Out of Hell 4 (nada confirmado, apenas uma especulação deste resenhista). Mas enquanto Bat Out of Hell não ganha uma continuação, os álbuns que não pertencem à série mostram que sua carreira ainda pode render muito.

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M.I.A. – AIM (2016)

Mais divertida e menos política

Por Lucas Scaliza

Sempre que M.I.A. aparece em uma notícia ou em uma playlist, nunca é propriamente em sua música em que penso primeiro. É sempre o lado político dessa artista londrina, de ascendência indiana, que me chama a atenção. E pesa a seu favor ter conseguido aliar seu ativismo com o mainstream do pop e do hip hop. Quando chega a hora de falar de sua música, é quase impossível deixar de lado a ética que parece nortear a estética. E, julgando apenas AIM, se tirarmos a ética de jogo, sua estética fica consideravelmente empobrecida.

AIM é seu quinto álbum de estúdio e também pode ser seu último, por decisão dela. Embora seja seu disco politicamente mais leve, não deixa de tocar em assuntos atuais como a questão das fronteiras e dos refugiados. Seu som continua sendo uma mistura do pop, da música eletrônica e do hip hop, incluindo aí também as batidas de Miami que aproximam demais o som de M.I.A. do funk carioca, com todo o tempero da música indiana.

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“Borders” não é apenas uma ótima abertura de álbum, mas também um excelente lembrete de que por mais que a música tenha batidas dançantes e refrão bem pegajoso, a mensagem de M.I.A. não pode ser ignorada. “Freedun”, “Survivor” e “The New International Sound” são o lado mais pop dela; “Foreign Friend” e “Finally” são R&Bs influenciados pelo hip hop; “A.M.P”, “Fly Pirate” e “Go Off” são mais hip hop. Várias outras mostram a influência da música oriental (“Bird Song”, “Ali R U OK?”, “Visa”), mas, na real, o disco todo é uma grande fronteira entre ocidente e oriente, entre o pop de pretensão global e a world music regional indiana, entre uma pegada pesada de hip hop e batidas eletrônicas e uma sensualidade do R&B.

Mas não há grande novidade em nada disso. Há realmente boas músicas em AIM, mas é tão longo (17 faixas) e diverso que acaba repetindo estilos emprestados de lá e de cá sem de fato propor um álbum que tenha um estilo próprio. Some a isso a diminuição da carga política e do tom de denúncia de AIM e teremos um disco que talvez tenha mais sucesso comercial do que Matangi (2013), mas muito menos impacto que Kala (2007) e Maya (2010). É por isso que se não tivesse todo o ativismo atribulado ao álbum (a parte ética), sua música (o lado estético) poderia ser ainda mais esvaziada de novidade ou, melhor dizendo, de relevância em pleno 2016.

Resumindo: faltou arriscar mais.

Maya Arulpragasam contou com a colaboração de Skrillex, Diplo e Blaqstarr em suas batidas e ondas sonoras. Embora façam um bom trabalho, parecem operar no piloto automático. Ela foi uma das primeiras artistas egressas da moda que levantou novas questões na música – como a dos imigrantes, ainda bastante presente no novo álbum –, mas uma série de eventos que ganharam vulto ao longo de 2016 – como o Brexit, o fenômeno Donald Trump e toda a crise dos imigrantes que atinge com força tanto o Oriente Médio quanto a Europa – fazem AIM parecer mais despreocupado do que poderia ser. Bom, talvez seja uma fase – ou necessidade – de M.I.A. em pisar no freio, não ser tão agressiva (e nem tão pretensiosa) e se permitir se divertir e divertir o público.

Por um lado, AIM é isso mesmo: um disco divertido, bom para dar o play e curtir, esteja você ligando ou não para os problemas do mundo. Por outro lado, acaba sendo um trabalho mais genérico de M.I.A., com ótimos momentos, mas que não parece atingir nenhum objetivo claro, seja ético ou estético.

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Escuta Essa 04 – Lady Gaga: não era amor, era Cilada!

Episódio 04 do Escuta Essa Review. Nossas impressões e informações sobre “Perfect Illusion”, a nova música da Lady Gaga. Ainda discutimos a participação de Kendrick Lamar em “The Greatest”, da Sia, e quem se beneficia com isso.

Outros artistas do episódio:

  • Norah Jones
  • Nick Murphy (ex-Chet Faker)
  • Zack De La Rocha
  • Lee Ranaldo
  • Carlos Café
  • Ghost

Coloque seus fones, aumente o volume e divirta-se!

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Sia (feat. Kendrick Lamar) – “The Greatest” (clipe): www.youtube.com/watch?v=GKSRyLdjsPA
Lee Ranaldo – “Angles” (clipe): www.youtube.com/watch?v=HQigMoQvk1I